Banco Central diminui previsão de crescimento do PIB e vê mais chance de inflação ficar acima do teto em 2021

O Banco Central (BC) revisou sua previsão de crescimento do PIB para baixo e agora projeta uma alta de 3,6% em 2021. A projeção anterior, de dezembro, era de 3,8%. A informação foi divulgada nesta quinta-feira no Relatório Trimestral de Inflação.

Como já tinha apontado na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC também elevou a estimativa de inflação medida pelo IPCA para 2021, de 3,4% em dezembro para 5%.

Se concretizada, a inflação ficará acima do centro da meta para o ano, que é de 3,75%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (2,25% a 5,25%). Mas o BC diz que a chance de o indicador ficar acima do teto da meta cresceu.

A reavaliação do BC em relação ao PIB considera que o quarto trimestre de 2020 foi bom e os números de atividade de janeiro e fevereiro continuam mostrando um movimento de recuperação, mas ainda não captam os efeitos do recrudescimento da pandemia.

Com isso, a incerteza sobre o ritmo de crescimento continua “elevada”, de acordo com o BC.

A autoridade monetária apontou que o primeiro semestre deste ano poderia registrar um “recuo moderado” na atividade econômica por conta do aumento de números de casos e mortes de Covid-19 e das medidas de distanciamento social adotadas em várias cidades e estados. Esse recuo, no entanto, seria menor do que o registrado em 2020.

“Esse processo de agravamento recente da crise sanitária possivelmente interrompe ou atrasa a recuperação da atividade econômica. De fato, dados de alta frequência já apontam recuo da mobilidade nos municípios mais atingidos pela alta recente nos casos de Covid-19” — aponta o documento.

A segunda metade do ano seria de “recuperação relevante” com a ampliação da vacinação. A expectativa é que as vacinas diminuam o número de casos graves, reduzindo a pressão sobre o sistema de saúde e permitindo “uma abertura mais rápida da economia”.

“Considerando os planos de vacinação e a oferta de vacinas existentes até o momento, espera-se que os impactos econômicos sejam mais perceptíveis no segundo semestre, em especial nos serviços presenciais, que têm sido mais fortemente afetados pela pandemia”.

Com essas perspectivas, o BC ainda ressaltou que o crescimento de 3,6% considera a manutenção do regime fiscal atual e depende do avanço das reformas econômicas no país.

“Ressalte-se que essa perspectiva está condicionada à continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira, condição essencial para permitir a recuperação sustentável da economia” — diz o relatório.

Se a projeção do BC se concretizar, o país ainda não estará totalmente recuperado do tombo de 4,1% no PIB de 2020.

Com essa revisão, a expectativa do BC se aproxima mais das expectativas do mercado financeiro, que apontam para um crescimento de 3,22% em 2021, de acordo com o relatório Focus.

O BC também aumentou a estimativa de inflação para 2021. De acordo com a instituição, a probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta passou para 41%, ante 8% no relatório de dezembro.

A revisão acompanhou o registro que veio bem acima do esperado em fevereiro e o sucessivo aumento nas projeções do mercado. A expectativa atual é que o IPCA fique em 4,71% ao final do ano, de acordo com o relatório Focus.

O BC explica que a diferença entre o cenário esperado ao final de 2020 e os números reais do início deste ano se deu principalmente por conta da desvalorização do real e pela alta nos preços de commodities.

“A alta dos preços de commodities agropecuárias contribuiu para que o arrefecimento da alta dos preços dos alimentos fosse menor do que o antecipado e a alta no preço do petróleo repercutiu nos preços ao consumidor rápida e intensamente, como usual” — mostra o relatório.

Um setor que contribuiu no sentido contrário foi o de serviços, que, ainda deprimido pela baixa atividade econômica, registrou uma variação da inflação abaixo da esperada.

“Por outro lado, a inflação de serviços surpreendeu para baixo, em decorrência sobretudo do comportamento do grupo educação, mas também do recrudescimento da pandemia, que levou ao adiamento do processo de normalização de alguns preços ainda deprimidos”.

Além do cenário básico em que a inflação ficaria em 5%, o BC fez três exercícios para simular o que aconteceria em caso de deteriorição da situação fiscal, um em caso de agravamento adicional da pandemia e um terceiro que combina parcialmente o efeito dos dois casos antriores.

No caso de piora da situação fiscal parecida com a que ocorreu entre 2014 e 2016, a inflação estouraria o teto da meta, chegando a 5,7%. No segundo cenário, a inflação seria de 4,5% porque a piora da pandemia afetaria a atividade econômica, reduzindo o consumo.

Já na junção dos dois cenários, a projeção da inflação não mudaria tanto e fecharia o ano em 4,9%.

Fonte: globo.com

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